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domingo, 29 de abril de 2012

BUDDHANET (MP3 Files)


01_-_Praise_of_the_Lotus_Pond Praise of the Lotus Pond - 5.78 MB
Mp3 02_-_Amitabha_Sutra Amitabha Sutra - 14.54 MB
Mp3 03_-_Mantra_for_Attaining_Birth_in_Pureland Mantra for Attaining Birth in Pureland - 1.32 MB
Mp3 04_-_Praise_to_Buddha Praise to Buddha - 6.0 MB
Mp3 05_-_Homage_to_Amitabha_Buddha Homage to Amitabha Buddha - 8.87 MB
Mp3 06_-_Pureland_Verses_by_Venerable_Ci_Yu Pureland Verses by Venerable Ci Yun - 4.13 MB
Mp3 07_-_Samathabadra_Bodhisattva's_Warning_to_the_Masses Samathabadra Bodhisattva's Warning to the Masses - 3.30 MB
Mp3 08_-_Threefold_Refuge The Threefold Refuge - 5.04 MB
Mp3 09_-_Great_Compassion_Mantra.mp3 Great Compassion Mantra - 3.87 MB
Mp3 10_-_Praise_to_Skana_Bodhisattva.mp3 Praise to Skana Bodhisattva - 4.69 MB




              

Chanting of Nichiren Buddhism (MP3 Files)
Mp3 nam_myoho.mp3 2.201 KB Nam-Myoho-Renge-Kyo.
Mp3 nichiren_gong.mp3 3.224 KB Nam Myoho Renge Kyo/recitation 2nd/16th chap. Lotus Sutra


Fonte:http://www.buddhanet.net/audio-chant.htm

domingo, 22 de abril de 2012

Salmo 91 Canção - Lindooo! Nas assas do altíssimo...

 
 
 


Aquele que habita no esconderijo do altíssimo
E descansa a sombra do Todo-Poderoso
Poder dizer ao Senhor
"Tu és meu Deus"
Só Ele pode me livrar do laço do caçador
Ele é Deus em que confio. É o meu Senhor
O Senhor me cobrirá com Suas penas
Sob suas asas encontrei refúgio
Praga alguma chegará em minha tenda
Pois em Tua presença
Eu estarei seguro
Não temerei o pavor da morte
Nem flecha que voa de dia
Nem a peste que se move na escuridão
Nem praga que assola ao meio dia
Mil poderão cair de um lado
E dez mil de outro
Mas eu estarei de pé
O Senhor altíssimo é o meu socorro
E nEle que eu coloco a minha fé
Aos seus anjos dará ordem a teu respeito
Para te guardarem em todos os teus caminhos
Eles te sustentarão nas suas mãos para que
Não tropeces em alguma pedra
Porque ele me ama, diz ao Senhor eu o livrarei;
Pô-lo-ei num alto retiro,
Pois conhece o Meu nome
Ele me invocará e Eu lhe responderei. Estarei
Com Ele na angústia, livra-lo-ei e o glorificarei
Dar-lhe-ei abundância de dias
E lhe mostrarei a minha salvação


 



Maria Elisete Shalom ''...no Senhor nosso Deus eu confio...''

terça-feira, 17 de abril de 2012

Danças Circulares Sagradas

"Dançando juntos nos curamos e curamos o nosso planeta, e descobrimos que é possível fazer o mesmo na nossa vida diária... Dançar em em círculos ajuda-nos a melhorar e enriquecer a nossa vida: física, mental, emocional e espiritual, o que satisfaz a todos os que entram em contacto; e aprender a comunicar de um modo mais profundo e com maior sentido, o que, em última instância, é a única maneira de melhorar e enriquecer o mundo inteiro”
Anna Barton

A Dança Sagrada nasceu da necessidade humana de identificar-se com a eterna roda das forças criativas do cosmos. Nenhuma iniciação antiga era feita sem a dança. Dançar, representava o modo mais natural do homem harmonizar-se com os poderes cósmicos.
O homem antigo, integrado à natureza, dançava em círculos, os ritmos cíclicos da vida: o nascimento, a puberdade, o casamento, a morte, as mudanças de estações, o plantio, a colheita, o sol e a chuva. Desse modo, celebravam, como ato sagrado, qualquer evento considerado essencial para a vida.
Ao longo da história, esses ciclos naturais foram substituídos por ritmos artificiais, portanto, o homem perdeu o contato com a natureza e os momentos de união com as forças mais sutis, com o transcendental.
Hoje, portanto, com uma nova consciência, esses valores perdidos, com o passar do tempo, vem sendo recriados, ajudando o homem contemporâneo a reconectar com os ciclos da natureza e com a essência da vida.
Bernhard Wosien
Bernhard Wosien


Bernhard Wosien (1908-1986) foi bailarino, coreógrafo, pedagogo da dança e artista plástico, destacando-se na pintura e no desenho. Nasceu em Passenheim, Prússia do Leste, Alemanha. Estudou teologia, dança, história da arte e pintura na Universidade de Breslau e na Academia de Artes de Berlim.
A partir da década de 60, buscando resgatar as primeiras formas simbólicas da Dança, Wosien começou a pesquisar as danças folclóricas e étnicas dos povos do hemisfério norte, as chamadas Danças dos Povos. Reconhecendo essas danças e símbolos, encontrou meios de “trabalhar uma expressão corporal que pudesse transmitir organicamente um estado espiritual de alegria e amor”.
Em 1976, Bernhard Wosien visitou a Comunidade de Findhorn, a pedido de Peter Caddy, um de seus fundadores e ensinou pela primeira vez uma coletânea de danças folclóricas para os residentes.
A partir de então, iniciou-se um grande movimento intitulado “Danças Circulares Sagradas”, movimento que repercutiu pela Europa e por todo o Ocidente.
As Danças Circulares tornam-se, assim, grande instrumento no trabalho de reconhecimento de nós mesmos, como parte do Todo.

domingo, 15 de abril de 2012

Tu Forma Transcendental - Paramahansa Yogananda (Com letra) Hare Krishna!!!

Platão (427 a.C.) dizia que "A música é um instrumento educacional mais potente do que qualquer outro". Ele dizia também que "A música é o remédio da alma" e que podia transformar o homem e toda a sociedade.
"Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor, todas as terras. Cantai ao Senhor, bendizei o seu santo nome; proclamai a sua salvação, dia após dia" - Salmos 96:1-2.
Tu Forma Transcendental - Paramahansa Yogananda (Com letra)

(Discípulos de Paramahansa Yogananda)
Tu Forma Transcendental, Señor, como el Cielo Azul

Mil estrellas dan a Tu Aura la Luz

Con Tu Poder sostienes el Universo

Eres Principio Eterno de la Creación

Las Gopis te llamam, a Ti, Mi Señor

La Fuente Suprema de Todo Amor
Hare Krishna, Hare Krishna

Krishna, Krishna, Hare, Hare

Hare Rama, Hare Rama

Rama, Rama, Hare, Hare
Tu estas Presente en nuestro corazón

Eres la SuperAlma, Tu Mantra és OM

Quieres demonstrar con Tu Perdón

Que la Única Religión es el Amor

Vivir como hermanos, quiere El Señor

En un Mundo Nuevo, sin aflicción
Hare Krishna, Hare Krishna

Krishna, Krishna, Hare, Hare

Hare Rama, Hare Rama

Rama, Rama, Hare, Hare
Tradução:
TUA FORMA TRANSCENDENTAL

(Discípulos de Paramahansa Yogananda)
Tua Forma Transcendental, Senhor, como o Céu Azul

Mil estrelas dão à Tua Aura a Luz

Com Teu Poder susténs o Universo

És o Princípio Eterno da Criação

As Gopis te chamam, a Ti, Meu Senhor

A Fonte Suprema de Todo Amor
Hare Krishna, Hare Krishna

Krishna, Krishna, Hare, Hare

Hare Rama, Hare Rama

Rama, Rama, Hare, Hare
Tu estás Presente em nosso coração

És a SuperAlma, Teu Mantra é OM

Queres demonstrar com Teu Perdão

Que a Única Religião é o Amor

Viver como irmãos, quer O Senhor

Em um Mundo Novo, sem aflição
Hare Krishna, Hare Krishna

Krishna, Krishna, Hare, Hare

Hare Rama, Hare Rama

Rama, Rama, Hare, Hare
Tu%20Forma%20Transcendental%20%20%20Paramahansa%20Yogananda%20%28Com%20letra%29.mp3
Maria Elisete Shalom...

AYAHUASCA COMO OPÇÃO ESPIRITUAL

  

ayahuascapor: DR. RÉGIS ALAIN BARBIER

As plantas sagradas, como um remédio, podem nos auxiliar a conscientizar um senso ampliado de identidade, provendo o estímulo necessário para a superação do hábito de restringir a nossa consciência de "eu" ao mundo das abstrações ou ao dos desejos egóico e pueris.

Com certeza, uma poção com a Ayahuasca, (assim como a seiva de outras plantas tradicionais e de uso ritualista), é capaz de proporcionar o auxílio que precisamos para redirecionar o nosso destino; orientar a humanidade em direção à realização do homo-sapiens verdadeiro: um ser ponderado, compreensivo, compassivo, tolerante, flexível e integrado.

O caminho dos vegetalistas, ou ayahuasqueiros, por ser mais intenso que muitas outras disciplinas, pode parecer de alguma maneira mais fácil por proporcionar um contato mais precoce e mais intenso com o numinoso. Tal contato pode inspirar compromisso e abrir as portas para mais força e criatividade, mais graça, para superar os conteúdos incômodos.

Certamente, com um investimento enorme de tempo e esforço, estas mesmas expe-riências podem ser obtidas pelos que dominam a ciência da meditação. Para investigadores cuja prática espiritual deve ser integrada com a necessidade de trabalhar e prover ao seu sustento, o uso adequado dessa tecnologia milenar pode tornar o pro-cesso da realização exeqüível. Para os que, mergulhados nessa nossa “sociedade de competitividade e consumo”, encontram o tempo para meditar essas experiências poderão vir a representar um salto qualitativo nas suas práticas.

Porém, a Ayahuasca não é um caminho para todos; substâncias psicoativas não são pontes, ou atalhos, apenas vias mais rápidas. A escolha deve ser baseada no conhecimento amplo dos fatores envolvidos. Esclarecer-se requer a resolução de materiais e conflitos inconscientes; aqueles que aspiram a essa realização precisam avaliar a sua disposição e coragem, decidir o compasso e a intensidade com a qual desejam se encontrar com essa psicodinâmica, essa “purgação” ou purificação na linguagem dos adeptos da Ayahuasca.

A Ayahuasca revela que o conhecimento que temos do mundo, da existência, é um estado ou processo psicossomático. A experiência mística realiza a descrição cientifica da relação ecológica de todos os seres, do campo quântico e unificado; essa experiência implica desapego e transformação, isto é a drenagem do conceito de “ego”.

Se a nossa intenção é sincera, se temos coragem e generosidade o suficiente, então vale a pena estudar todas as técnicas úteis para a realização espiritual - a Ayahuasca, utilizada com motivação certa, habilidade e integridade, pode contribuir muito para o alívio do sofrimento, dando acesso à sabedoria e visão necessária para a união mística.

AYAHUASCA COMO INSTRUMENTO DE AUTO-OBSERVAÇÃO:

A percepção, habitualmente embotada, permite apenas aprender e acessar uma fração distorcida de realidade; uma realidade revestida de projeções pessoais e pressuposições. A propriedade central dos “enteógenos” ou “psico-integradores” é com certeza levantar o véu, amplificando a experiência.

A Ayahuasca amplifica a capacidade psicossomática de responder a gradações mais sutis de estímulos além de muitas vezes integrar as diversas faculdades sensoriais em processos sinestésicos. Esse efeito de aumentar a capacidade de experienciar, de avaliar e apreciar por si mesmo, é central para a compreensão do seu significado.

Esta amplificação, como uma lupa, permite uma (re)visitação intensiva e absorta dos conteúdos mentais - recordações, idéias, fantasias, pensamentos, emoções, medos, esperanças, sensações em gerais. Na dependência da ética e valores morais atuais do indivíduo, além de influir na intensidade e no foco das percepções, a experiência pode motivar a re-significação dos conteúdos sendo observados. Valores morais e atitudes são revistas.

Aqui temos uma tecnologia que alterando a composição bioquímica do instrumento e dos meios de processamento da informação, permite a inativação temporária dos filtros culturais e psicodinâmicos que nos bastidores da mente agem determinando, formatando e hierarquizando, nossas experiências quotidianas.

Pode se de fato aprender muito, crescer e liberar energia psíquica revendo, transformando, eliminando, aceitando e se reconciliando com conteúdos incômodos.

COMO CAMINHO INICIÁTICO: SINCERIDADE E CORAGEM:

A função de uma substância com a Ayahuasca é muitas vezes mal entendida. Muitos pensam que pelo fato de terem tido experiências maravilhosas, já obtiveram as respostas e foram de alguma maneira transformados. Em alguns aspectos foram, mas muitos descobrem a realidade de que existem muitas camadas de condicionamento e ignorância a separar a mente superficial do núcleo do ser.

A Ayahuasca e outras plantas instrutoras podem levar à transposição dessas barreiras permitindo o acesso à nossa essência, necessitando, contudo persistência e comprometimento no sentido de mudar e remover os velhos hábitos que tendem a reaparecer.

Muitos imaginam que a repetição da experiência irá manter um estado de lucidez e visão, de fato pode, mas freqüentemente, a mudança requer trabalho duro e esforço dedicado; algumas vezes a experiência transforma, outras vezes mostra o possível, aponta o caminho, a responsabilidade de implementar as mudanças nos pertence.

Para o investigador espiritual sério, assim como para os que buscam conhecimento verdadeiro, a característica mais importante é a honestidade. Isto significa a coragem para olhar para o que se apresenta no processo, pela habilidade de admitir as suas falhas quando se tornam aparentes e pela determinação de mudar os seus comportamentos em função do que se revela.

O contéudo e natureza das experiências que essa substância induz não são, portanto, produtos artificiais resultantes da sua interação farmacológica com o cérebro, mas expressões autênticas da psique que revela seu funcionamento e potenciais em níveis inacessíveis no estado ordinário de consciência.

Para aquele cuja intenção real é instalar uma transformação psico-espiritual, a Ayahuasca pode funcionar como catalisador natural a revelar e liberar intuições e conhecimentos oriundos das facetas mais elevadas do ser, permitindo o acesso a uma sabedoria fundamental relativa ao universo e à nossa posição como indivíduo.

O grande valor da Ayahuasca, trazidos à nossa atenção pelas sociedades indígenas, é que ela dissolve os limites da mente inconsciente; ela dá acessos aos conteúdos reprimidos e esquecidos. Ela possibilita o reconhecimento das configurações universais da psique, os arquétipos de humanidade, junto com um leque mais abrangente de conhecimentos e maneiras de conscientizar, até eventualmente a vivência dos diversos aspectos da união mística.

COMO CAMINHO INICIÁTICO: TOLERÂNCIA:

Uma substância como a Ayahuasca oferece opções terapêuticas já que tende a dissolver a fragmentação e a compartimentagem interna, a revelar mecanismos de defesas diversos como “projeção”, “negação” ou “deslocamento”, possibilitando o esclarecimento dos sectarismos e pontos de vistos intransigentes.

Na medida em que o indivíduo consegue ver as coisas de uma maneira não distorcida, vendo claramente não apenas o seu passado mais também a presunção e cegueira da sua própria cultura e grupos de referencias, ele necessita, além de tolerar a decepção e o sofrimento, superar sentimentos de desamparo.

Nem sempre é fácil ter de ver e aceitar que não somos assim tão vítimas, mas sim responsáveis pelas nossas vidas; aceitar ser capaz, reconhecer o seu potencial e a responsabilidade que isso requer implica coragem e determinação. Podemos até recusar crer que fazemos jus a muita beleza e alegria, bem estar profundo, sem nada ter de pagar além de ser o que já se é; apenas sendo o que já somos. O gerenciamento emocional produtivo dessa reavaliação, a reorganização psíquica, implica um grau suficiente de equilíbrio e bom senso para que se tomam atitudes judiciosas sem precipitações.

TRIANGULAÇÃO - AYAHUASCA COMO UM FENÔMENO TRÍPLICE:

A PESSOA, O AMBIENTE E O CHÁ.

Sobre a influência da Ayahuasca, a intensidade dos estímulos - tanto por amplificação e enriquecimento de detalhes e pontos de vistas perceptuais quanto pelo maior influxos de dados perceptivos - aumenta consideravelmente as possibilidades de respostas à experiência. Devido a essa magnificação da percepção, uma atenção especial tem se dado à qualidade dos estímulos provenientes tanto do indivíduo quanto do meio onde o chá esta sendo utilizado.

A hipótese denominada em inglês de “set and setting” foi inicialmente formulada por Timothy Leary nos anos 60 no âmbito das pesquisas iniciais com agentes psicoativos e foi rapidamente aceita pelos demais pesquisadores da área. A teoria geral determina que o conteúdo de uma experiência com substância psicoativa é uma resultante da interação de três fatores básicos.

Os fatores essenciais são: o “set”, que traduzo como sendo o “fator pessoal”, isto é aquele que o individuo traz consigo, os seus conteúdos (intenção, atitudes, personalidade, humor, etc.); o “setting” ou “fator ambiental” corresponde a todos os elementos externos ativos e capazes de influir a experiência (fatores interpessoais, social, ambiental, o âmbito). A substancia em si, o “Chá” age como um gatilho, ou catalisador, a conectar e por em interação os fatores citados numa dinâmica especifica, criativa e intensa.

É evidentemente impossível definir qual dos fatores é o mais importante tanto quanto é impossível dizer qual o lado mais essencial de um triângulo isóscele. Contudo “o âmbito” é a vertente da experiência que pode ser programada, estudada, ensaiada e cuidadosamente preparada para um melhor proveito.

TRIANGULAÇÃO - O FATOR PESSOAL:

Como a Ayahuasca revela o nosso lado oculto, abrindo as portas do inconsciente numa linguagem psicológica, um enorme leque de opções e qualidade de experiência se apresenta. Na realidade essa poção psicoativa revela e liberta o que está dentro da pessoa, tornando a mente manifesta (ou seja, efeito “psicodélico” como “manifestação da mente”). A mente se torna sujeita a observação e, por isso mesmo, a transformação.

A fluidez e a qualidade do deslocamento do ayahuasqueiro nesse labirinto psíquico depende antes do tudo do fator pessoal, do “conteúdo” que inclui os elementos do inconsciente pessoal, o registro da experiência de vida, assim como os mecanismos condicionantes em operação – recatos e defesas – a determinar a liberdade de opções, a qualidade, riqueza e legitimidade das interpretações, enfim, os principais desafios do indivíduo.

Outro aspecto importante do conteúdo consiste nos valores e critérios pessoais; atitudes, aspirações, expectação, intenção e ética. Estes elementos irão influenciar a atração da atenção e determinarão o modo da pessoa lidar com o material psíquico revelado.

TRIANGULAÇÃO - O FATOR AMBIENTAL:

O fator ambiental se refere aos fatores externos ao indivíduo e capazes de influenciar a experiência: o lugar onde o chá é servido; a atmosfera do ponto de vista cultural, espiritual e emocional; como o indivíduo está sendo atendido; a quantidade de pessoas envolvidas; o tipo de liderança aplicada na experiência são alguns dos fatores a considerar.

Normalmente o indivíduo se torna bastante impressionável quando sofre os efeitos de substâncias como a Ayahuasca, estado decorrente da magnificação perceptual já mencionada. Esse efeito acoplado como o aumento da perspicácia, capacidade metafórica e habilidade em gerar psico-associações criativas, alimenta o lado noético e o imaginário da experiência.

É obvio que essa “impressionabilidade” não significa que o ayahuasqueiro é mais facilmente suscetível de influência do que o homem comum ou do que os fiéis das religiões de massas, por exemplo. O grau de credulidade, ingenuidade, ou então de cepticismo (ver nota) de um indivíduo reflete opções cognitivas, filosóficas, assim como traços de personalidade profundos e estáveis, até mesmo inerentes, que não serão transbordados pela “força e influência” do chá. Ao contrário, são justamente esses conteúdos profundos do indivíduo – inclusive tendências básicas como credulidade ou cepticismo - que determinam a maneira de significar a experiência.

O tipo e da qualidade do sistema de crenças, da visão, pertinente ao âmbito social no qual a experiência irá ocorrer assim como o tipo de liderança e dinâmica dos trabalhos são fatores essenciais, capazes de influenciar em grande parte a harmonia e tranqüilidade da experiência; possuir uma boa descrição do âmbito onde se irá comungar a poção é um fator importante. Uma liderança não muito interventiva e tranqüila favorece o acesso e estudo dos conteúdos pessoais, o exame e integração da sua própria trajetória, o encontro de caminhos e conceitos próprios.

Um facilitador precisa ser paciente, empático, familiarizado com os processos da experiência; ele pode ser muito efetivo sabendo refletir os pontos essenciais, fazer perguntas, observações aparentemente casuais. Cantos, músicas, atitudes e até mesmo orientações diretas bem dosadas, podem ser importante para facilitar uma experiência suave e rica.

O ayahuasqueiro descobrirá que dividindo possíveis dificuldades com companheiros receptivos e compreensivos poderá gerar claridade e conforto. Finalmente, e na maioria das vezes, o melhor guia é a nossa própria consciência e esse processo interno não deve ser interferido a não ser quando solicitado.

Rituais inspiradores, universais e holísticos, ambientes naturais, atividades espontâneas e criativas, permitem a focalização da atenção para regiões psíquicas interessantes.

Os próprios conteúdos, junto com a configuração de ambiente, a qualidade do chá, a própria intenção e a do grupo, configuram um processo singular, uma “gestalt”, um “ser maior”, o próprio eu transpessoal da experiência. Reconhecer e ter certeza de estar em sintonia e harmonia com esse “ser maior” gerado pelo evento é a chave de uma experiência de grupo bem sucedida.

(Nota) Cepticismo: atitude ou doutrina segundo a qual o homem não pode chegar a qualquer conhecimento indubitável, quer nos domínios das verdades de ordem geral, quer no de algum determinado domínio do conhecimento.

TRIANGULAÇÃO - O CHÁ:

Investigações demonstram a variabilidade do chá na sua composição química. Fatores dependentes, das plantas e lugar de origem, da hora da colheita, do preparo (quantidade relativa das duas plantas, grau do apuro e tipo de água utilizada - fatores com pH, teor mineral da água) todos influenciam a qualidade do chá e, portanto os seus efeitos. A quantidade utilizada durante uma cerimônia é também um fator decisivo.

Quantidades habituais ou moderadas permitem uma observação melhor dos seus próprios conteúdos, um estudo detalhado da sua própria psicodinâmica. Quantidades maiores são necessárias para se “viajar no astral” na linguagem dos usuários de algumas seitas. A utilização de grandes quantidades de chá, acima de 300 mililitros, numa única tomada é mais bem aproveitada em ambiente especifico, mais reservados com uma supervisão adequada e favorece o tipo de vivência descritas na fenomenologia como “experiências místicas”.

Com uma prática adequada e um considerável trabalho sobre si mesmo é possível se chegar aos mesmos resultados com dosagens menores.

INTEGRAÇÃO DA EXPERIÊNCIA - REAÇÕES:
Como as defesas do ego são desafiadas, sentimentos reprimidos e recordações afloram na consciência, podendo criar algum nível de ansiedade - uma reação semelhante ao enfrentado em situações inusitadas ou de desfecho incerto como praticar esportes radicais, participar de competições esportivas ou ainda se submeter a alguma prova. Uma experiência desse tipo é geralmente muito proveitosa por ensinar mais.

Reações adversas mais sérias ainda não foram descritas com o uso da Ayahuasca, em parte porque o chá tem sido utilizado com critério e responsabilidade, em doses adequadas, e que a Ayahuasca não tem sido promovido como sendo remédio e solução para curar as crises emocionais de pessoas seriamente transtornadas.

Triagens para eliminar os prováveis candidatos a reações adversas, como as personalidades esquizóides e pre-psicóticas, os neuróticos com instabilidade de identidade e níveis altos de ansiedades, os usuários de drogas e medicamentos psico-ativos possibilitam a realização de Cerimônias tranqüilas, seguras, criativas e de inestimável valor espirituais.

INTEGRAÇÃO DA EXPERIÊNCIA - EFEITOS PRÁTICOS:

Experiências como as proporcionadas pela Ayahuasca são por natureza transcendental, transpessoais, porque alargam a experiência e visão da realidade, diminuem o império do ego sobre a personalidade, facilitam uma mudança de valores.

Torna-se evidente que a utilização de uma substância como a Ayahuasca é mais útil dentro de um contexto e de uma disciplina tendo como objetivo o crescimento e a evo-lução espiritual, um programa chamando atenção para os valores éticos e morais fundamentais. Uma disciplina adequada fornece um corpo de ética capaz de apoiar as mudanças requeridas, clarificando os objetivos, mantém a mente focada e aberta para o aprofundamento crescente da experiência.

É o indivíduo, a sua intenção que determinam se a experiência será mística e religiosa, evolutiva ou não. Bastante preparo é necessário para se chegar a uma experiência mística, mesmo usando Ayahuasca e um trabalho de integração efetivo é necessário para que a experiência seja de fato transformadora. Se o estado de consciência ampliado induzido pela experiência conduz ou não a mudanças positivas e duradouras, depende da intenção e dedicação do usuário.

Uma visão, mesmo rápida, de uma realidade maior pode mudar a vida de uma pessoa se ela resolve integrar essa visão à sua realidade.

Receber uma luz não é igual a aplicar essa luz no dia a dia; não há conexão inerente entre uma experiência mística de unidade e a expressão ou manifestação daquela unidade na vida cotidiana. Este ponto é talvez óbvio, contudo freqüentemente esquecido por aqueles que debatem se, em princípio, um agente psicoativo pode ou não ter valor no âmbito da busca espiritual. Qualquer que seja a fonte ou a origem da iluminação, as revelações só poderão ter efeitos práticos com a permissão e dedicação do individuo.

Autor: Dr. Régis Alain Barbier.
fonte:
http://www.panhuasca.org.br/

* nota:

Nossa gratidão ao nosso amigo Dr. Régis pelo excelente trabalho que vem realizando e pelos esclarecimentos que com grande maestria nos brinda no texto acima, que reflete com grande clareza nossa própria visão da Bendita Abuelita Ayahuasca e de suas propriedades maravilhosas em abrir os mistérios do Divino dentro de nosso coração.

Que Deus lhe abençoe querido Régis. Ahô!

Luis Pereira



http://www.universomistico.org/s/opcao-espiritual.html

A HORA DO CHÁ - Santo-Daime-

A HORA DO CHÁ

A ayahuasca conquista adeptos de outras religiões e vive seu momento de maior expansão e reconhecimento. Mas a bebida sagrada segue polêmica, no Brasil como e em outros países
Revista Galileu - Pablo Nogueira

ritual
Comunhão de bens: noite de ritual do grupo Beija-Flor de Lótus, que combina elementos do Daime e do Hinduísmo
O que têm em comum o ofício de baiana do acarajé, o frevo pernambucano e a festa do Círio de Nazaré? Os três são "patrimônio cultural imaterial brasileiro", título criado pelo governo em 2000 com o objetivo de auxiliar na preservação de tradições populares. Apenas 12 manifestações culturais receberam esse status, sendo que Bumba Meu Boi e o queijo Minas aguardam na fila. Em maio surgiu um novo candidato: o uso religioso do chá ayahuasca, mais conhecido como Daime.
O pedido foi feito durante uma visita oficial do ministro da Cultura ao Acre, e tinha como porta-vozes políticos, religiosos e o governador do estado, Binho Marques (PT-AC). A reação de Gilberto Gil foi positiva: "espero que possamos celebrar, em breve, o registro do ayahuasca como patrimônio cultural da nação brasileira". A imprensa nacional rapidamente repercutiu as palavras do ministro. Alguns veículos apenas registraram a iniciativa, mas outros questionaram a idéia, na linha "bebida alucinógena pode virar símbolo nacional", incitando comentários pró e contra internet afora.
ayahuasca
Tudo somado, o episódio mostra duas coisas: 1) Após quase oito décadas de existência, as religiões ayahuasqueiras vivem seu melhor momento. Assimiladas por outras fés e reconhecidas pelas autoridades, vêem seu número de adeptos subir 10% ao ano; 2) Todo esse ciclo de expansão é ignorado pela maior parte da sociedade brasileira, que continua desconfiando do uso de uma substância psicoativa de forma religiosa.
deputada perpétua almeida
Discurso: "o uso religioso da ayahuasca tem apelo mundial, que é a preservação da floresta", diz a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC). Abaixo ela posa em um pé de mariri (ou jagube), uma das plantas que compõem o chá
Para tentar reverter esse quadro realizou-se em maio, em Brasília, o II Congresso Internacional da Hoasca. O encontro foi organizado pela União do Vegetal, que junto com o Santo Daime e a Barquinha, é uma das três religiões ayahuasqueiras brasileiras. Também participaram membros das outras duas correntes, e o congresso tornou-se uma defesa da religiosidade baseada no chá. "Essa é a religião da floresta", disse no evento a deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB-AC). "Queremos que o mundo reconheça nossa religiosidade, porque o Brasil não conhece a Amazônia." De formação católica, foi ela que iniciou a articulação do pedido de reconhecimento entregue a Gil, embora jamais tenha experimentado a bebida.
A mais conhecida das três religiões do chá é o Santo Daime. A menos conhecida é a Barquinha, que praticamente não se expandiu para fora do Acre, onde surgiu. A que tem mais fiéis é a União do Vegetal (UDV). De estrutura centralizada e hierárquica, foi criada em 1961, em Rondônia, pelo baiano José Gabriel da Costa (1922-1971), chamado Mestre Gabriel. Sua doutrina é cristã e reencarnacionista, e eles chamam o chá de "hoasca" ou de "vegetal".
congresso internacional da hoasca
Legitimidade: palestrantes dos EUA e do Canadá fazem videoconferência no II Congresso Internacional de Hoasca, realizado em Brasília para divulgar as religiões do chá
A UDV manteve um ritmo lento de crescimento durante boa parte de sua história e em 1998 contava com pouco mais de 6 mil adeptos. Uma década depois, esse total está próximo dos 15 mil, sendo que alguns participam de "núcleos" e "distribuições" (como chamam seus templos) sediados na Europa e nos Estados Unidos. O antropólogo Sérgio Brissac, que pesquisou a UDV em sua dissertação de mestrado no Museu Nacional, diz que o crescimento da religião está ligado ao próprio "espírito do tempo" que vivemos. "Frente ao relativismo contemporâneo, a dinâmica do ritual e a doutrina da UDV apresentam a alternativa de um conjunto sólido de verdades. Além disso, há uma busca por uma experiência intensa do sagrado, e a vivência com a ayahuasca, unida ao ritual e aos ensinamentos, oferece essa oportunidade", diz. Ele não aponta um perfil definido de freqüentador, mas nas grandes cidades predominam pessoas de classe média e formação universitária.


garrafa de ayahuasca
Conservação: o chá é guardado em geladeiras, geralmente em garrafas PET, e servido à temperatura ambiente. Costuma ser servido em copos de vidro, e alguns ritos envolvem mais de uma dose
Expansão e exposição
A UDV tem capitaneado boa parte dos esforços para que o uso religioso do chá seja visto como algo legítimo também fora do Brasil. O caso mais controverso ocorreu nos Estados Unidos. Entre 1999 e 2006 a UDV enfrentou uma longa batalha jurídica a fim de preservar o direito de consumir o ayahuasca, que estava sendo contestado pelo governo americano. Durante esse período, os membros mantiveram suas práticas rituais (veja quadro "Uma sessão da união"), mas bebendo água em vez de chá.
Em janeiro de 2006 a Suprema Corte anunciou um veredicto favorável ao grupo, e o ayahuasca voltou a ser consumido. À frente da batalha pela legalização estava Jeffrey Brofman, representante da UDV nos Estados Unidos. Ele recusou entrevistas a veículos como New York Times e CBS na época do veredicto e falou a Galileu sobre sua participação no Congresso em Brasília. De origem judaica, conheceu grupos indígenas que fazem o uso religioso de psicoativos antes de chegar à UDV, em 1990. Hoje ele comanda 180 adeptos nos EUA.
A penetração do Santo Daime no exterior é bem maior. Estados Unidos (incluíndo Havaí), Canadá, Espanha, França, Itália, Suíça, Irlanda, Alemanha Inglaterra, Holanda e Japão têm grupos ativos. Como explica o antropólogo Alberto Groisman, da UFSC, o processo se iniciou com a visita de estrangeiros à região amazônica, nos anos 1970, e continuou na década seguinte, quando os daimistas brasileiros passaram a ser convidados a viajar para realizar rituais e ensinar os fundamentos da religião.
Desse intercâmbio foram se formando grupos estáveis que se reúnem para praticar rituais como o bailado (ver quadro "Um bailado no Santo Daime") e cantar hinos religiosos que versam, entre outras coisas, sobre a espiritualidade da floresta amazônica. Sabe-se que eles atuam em diferentes condições legais, dependendo do país. Na Inglaterra os trabalhos são realizados secretamente, a fim de não chamar a atenção das autoridades. Na Espanha, dois daimistas brasileiros foram presos em 2000, acusados de tráfico de drogas, mas hoje a religião está inscrita no cadastro nacional de entidades religiosas.
Nos EUA, os daimistas pleiteiam os mesmos direitos já outorgados à UDV. Na França, após uma vitória judicial inicial em 2005, o governo incluiu os princípios ativos do chá na lista de estupefacientes, tornando ilegal seu uso religioso ou não. "Cada país reagiu à chegada do Daime conforme o estabelecido por suas normas nacionais de controle de drogas, aplicada conforme a demanda que aparecia", explica Groisman.
Um bom exemplo desta mudança de atitude foi o caso da Holanda. Em 1999, dois daimistas foram presos devido ao uso religioso da ayahuasca. Dois anos depois, após um processo judicial que envolveu a consulta a médicos, psicólogos, teólogos e antropólogos, os rituais do Daime foram liberados. Groiman viveu algum tempo na Holanda acompanhando as igrejas daimistas do país. "O que mais me impressionou foi a dedicação dos holandeses em seguirem as formas e conteúdos tradicionais do Santo Daime. Eles cantavam os hinos em português, muitos estavam aprendendo a língua ."
 Jeffrey Brofman
Gringo no chá: Jeffrey Brofman, desde 1992 representante da União do Vegeral nos Estados Unidos, diz que lá o chá reúne "médicos, psicólogos, advogados, gente de diferentes perfis profissionais, sociais e étnicos"
Chá em transe
Mas em certas "igrejas" (como são chamados os templos do Daime) a mistura já é norma. "Acho que o Daime caminha para se tornar cada vez mais eclético", diz a antropóloga Beatriz Labate, autora de quatro livros sobre o uso religioso da ayahuasca e de outras substâncias psicoativas ". No exterior há igrejas que adotam influência hare krishna e de terapias alternativas. Em Assis, na Itália, há uma influência forte da mitologia local, ligada a São Francisco."
Aqui no Brasil algo semelhante aconteceu a partir da popularização do uso religioso da ayahuasca nas grandes cidades do Sudeste. É cada vez maior o número de grupos religiosos que se baseiam no uso do chá mas incorporam elementos diferentes daqueles propostos pelos fundadores das três religiões. "Em 2000, pesquisando para o mestrado, encontrei 30 grupos em São Paulo; hoje deve haver pelo menos o dobro", diz a antropóloga.
Talvez o exemplo mais conhecido dessa nova geração de usuários religiosos seja o umbandaime, tendência que, como o próprio nome sugere, busca uma aproximação com a religiosidade afro-brasileira. O terapeuta Antônio Marques Alves Júnior defendeu em 2007 um mestrado na PUC-SP sobre a aproximação entre Daime e umbanda. Alves ressalta que, embora o fundador do Daime, o maranhense Raimundo Irineu Serra (1892-1971), chamado Mestre Irineu, fosse negro, a religião que ele criou não dava importância ao chamado transe mediúnico, comum nas religiões afro. "Talvez ele tenha deixado a mediunidade de lado intencionalmente, para escapar da perseguição religiosa que a própria umbanda sofria no inicio do século 20", especula.
Irineu morreu sem apontar um sucessor. Após sua morte, um de seus discípulos, Sebastião Mota Melo, chamado por daimistas de Padrinho Sebastião, passou a liderar uma comunidade batizada de Colônia dos Cinco Mil, perto de Rio Branco. Entre 1974 e 1980 esse grupo se tornou um pólo de difusão do Daime para fora da Amazônia.
Ao chegar ao Rio de janeiro, no início dos anos 1980, o Daime atraiu o interesse de praticantes de umbanda, inclusive mães-de-santo. A partir desse trânsito, surgiu no Rio uma variante da religião. Nela, além dos trabalhos "tradicionais" de Daime, havia espaço também para outros rituais, onde o consumo do chá se ligava a "receber entidades". O próprio Padrinho Tião, um ex-espírita, se interessou por essa vertente, e seu filho, Alfredo melo, construiu rituais que exploravam a conexão entre daime e umbanda.
"Muitos adeptos criticam essa aproximação, dizendo que isso não é Daime", explica Alves, ele mesmo um "aproximador". Nos anos 1990, ele abriu uma igreja daimista chamada de Reino do Sol, que se tornou referência desse tipo de sincretismo em São Paulo. O hino oficial da instituição diz que "O Daime é o sol da minha vida/e a umbanda é sua filha querida", e lá realizam-se, além dos trabalhos "oficiais" do Daime, rituais chamados de giras, com até 200 participantes, dos quais as pessoas participam descalças e vestidas de branco, e nos quais o ayahuasca facilitaria o transe mediúnico.
Às terças-feiras, o grupo de Alves realiza um ritual no qual, assim como acontece nos centros espíritas, alguns indivíduos entram em transe e recebem "entidades", que dão consultas grátis à população como exercício de caridade. Antes de entrar em transe os médiuns podem beber pequena quantidade de ayahuasca. E durante as duas horas que dura o trabalho, um grupo de músicos canta suavemente hinos que misturam os imaginários da umbanda e do Daime. Ao final, todos os participantes formam uma roda e bailam e cantam hinos de inspiração daimista, terminando o ritual com a oração de São Francisco. "Acho que essa nossa síntese é um trabalho inovador. Sou umbandista tanto quando sou daimista. Pertenço a toda religião que não se considera a única", diz Alves.

UMA SESSÃO DA UNIÃO
Conheça as etapas do ritual seguido pelos adeptos da União do Vegetal
união do vegetal
• Os adeptos usam uniforme na maioria das sessões. O homem à esquerda (quadro no canto superior esq.) está vestido como um mestre, nome dado aos sacerdotes

1>>>A pessoa encarregada de conduzir o ritual é chamada de mestre dirigente. Às 20h, ele se põe em pé e anuncia o início da sessão. Todos ficam de pé. A partir de agora, só ele pode falar livremente: os outros devem pedir permissão a ele para falar2>>>As pessoas formam uma fila no sentido anti-horário e param ao lado do arco para receber o chá. Cada um recebe o chá diretamente do mestre dirigente. Eles seguram o copo com a mão direita,voltam a seus lugares e permanecem de pé
3>>>O mestre dirigente fala algumas palavras rituais e todos bebem o chá. Os mais graduados hierarquicamente bebem primeiro. Depois, todos sentam-se em silencio
4>>>Enquanto se espera que os efeitos do chá comecem a se manifestar, escuta-se a leitura dos regulamentos internos da UDV
5>>>Após a leitura, o mestre dirigente entoa alguns cânticos, que visam colocá-lo num estado de inspiração espiritual
6>>>O mestre percorre a mesa no sentido anti-horário perguntando à alguns se elas estão sentindo os efeitos espirituais do chá, chamados de "força" e "luz"
7>>>A partir daí, os presentes fazem perguntas sobre a doutrina, que são respondidas pelo mestre dirigente. Quem quiser, pode beber uma segunda dose do chá às 22h. O rito se encerra às 00h15

mestre irineu
Sincretismo: à esquerda, momento do passe em ritual de umbandaime, que como diz o nome, mistura umbanda e Santo Daime criado por Mestre Irineu, representado à direita
Passagem para a Índia
Outro exemplo representativo de novo grupo é o Beija Flor de Lótus, que tem sua sede nos arredores de São Paulo. Ele é dirigido pelo músico e terapeuta Chandra Lacombe. Lá os rituais combinam alguns elementos do Santo Daime, como orações cristãs, uso da ayahuasca e o canto de hinos, com outros originários da espiritualidade indiana, tais como mantras, posturas meditativas e música hindu. Um dos hinos que o músico compôs diz assim: "É o sol e a Lua/ É Jagube e Rainha/ É o shiva e a shakti/ A divina alquimia". "Jagube" e "Rainha" são os nomes que os daimistas dão às plantas a partir das quais se faz o chá, e Shiva e Shakti são divivindades da Índia.
Chandra começou a desenvolver o que ele chama de "linha unificada" dez anos atrás. Até então, era apenas membro de um outro grupo independente, no qual também se buscava aproximar o hinduísmo do Daime -ou seja, ele já é a segunda geração desse tipo de sincretismo no Brasil. Atualmente sua comunidade reúne 60 membros regulares. "A maior parte são pessoas que estavam insatisfeitas com a doutrina do Daime. Queriam mais espaço para abordar sua individualidade."
Já os que chegam ao grupo vindos das seitas hinduístas tradicionais encontram a experiência mística associada ao chá. "Se consumido num contexto ritualístico, ele é mais do que simplesmente um alterador de consciência. Acreditamos que o mesmo estado poderia ser alcançado pela meditação, mas a pessoa precisaria de muito esforço e disciplina para chegar aos níveis rapidamente atingidos com a bebida."
Ao longo dos seus anos como líder de grupo, Chandra viajou por diversos países coordenando rituais, onde formou um grupo regular de adeptos. Alguns deles vêm ao Brasil para matar a saudade dos trabalhos no Beija Flor de Lótus. É o caso de John, pseudônimo usado por um terapeuta de um país escandinavo que prefere não se identificar, com medo de que o governo de seu país descubra que o ayahuasca está circulando por lá. Ele diz adorar "o Santo Daime tradicional", e vê o trabalho de Chandra como uma parte legítima dele: "Se o Mestre Irineu está incluído, para mim também é Daime". Discussões doutrinárias à parte, ele ressalta a importância da experiência com o chá: "os momentos de êxtase são a parte fácil. Difícil é quando você se confronta com a sua sombra. É aí que o Daime é importante para mim, e pode ser para outras pessoas. Às vezes penso que essa bebida poderia curar o mundo."

UM BAILADO NO SANTO DAIME
Neste ritual, os participantes cantam e dançam e tem lugar marcado
bailado do santo daime
1>>>Homens e mulheres entram por portas separadas e se posicionam obedecendo a alguns critérios. Num grupo ficam os homens casados e mais velhos. No outro, os jovens casados e visitantes, e na próxima ala os jovens solteiros. As mulheres serão distribuídas da mesma forma, de modo que haja um espelhamento: os casados de frente para as casadas etc.2>>>O padrinho é quem conduz todo o trabalho da noite. Ele fica na primeira fila, na extremidade direita. É ele quem diz as palavras que iniciam o ritual, e também as que o concluem
3>>>Depois de se anunciar o início do ritual, homens e mulheres formam duas filas para receber o chá. Durante o bailado, que pode durar mais de 12 horas, bebe-se normalmente uma dose a cada hora e meia ou duas horas
4>>>Os ritos de bailado acontecem em datas específicas do ano. Em cada um canta-se um conjunto específico de músicas. Essas músicas são chamados hinos. Numa noite, pode-se cantar 200 hinos ou mais. Além de cantar, os fiéis também dançam, realizando simultaneamente o mesmo passo
5>>>Os hinos são cantados com o acompanhamento de instrumentos instrumentos como violões e acordeões. Os músicos sentam-se ao redor de uma mesa. Sua referência são as puxadoras, que dominam o hinário e vão "puxando" as canções.
6>>>Chama-se fiscal o adepto que tem a função de colaborar com o andamento do ritual. Eles monitoram as filas, impedindo que o movimento das pessoas abra claros nas fileiras.
Também prestam assistência às pessoas que deixam o salão.
• Em toda a igreja há uma cruz de caracala, símbolo da base cristão do Daime

• Nos rituais de bailado usa-se uma roupa conhecida como farda branca. A coroa das mulheres evoca a Rainha da Floresta, a entidade que apareceu ao fundador do Daime. Nas mãos carregam um instrumento musical chamado maracá

altar
Para todos: o altar da Beija-Flor de Lótus é abençoado mestres hindus, mestre Irineu e Nossa Senhora
Ainda polêmico
Segundo o psiquiatra Wilson Gonzaga, são justamente os pequenos grupos independentes que preocupam as autoridades que regulamentam o uso religioso do ayahuasca no país. Ele é membro do grupo de trabalho interdisciplinar do Conselho Nacional Antidrogas, criado em 2004 para estabelecer princípios éticos a serem seguidos por todas as entidades usuárias do chá.
Na estrutura da comissão foram indicados representantes da União do Vegetal, das diferentes linhas de Daime e dos independentes, e Gonzaga entrou como representante desses últimos. "Os grandes, como a UDV ou o Daime, possuem mecanismos fiscalizatórios para controlar a maneira como o chá é utilizado. Já essas organizações novas, oriundas das maiores, não tem". Ele acredita que a tendência é que o número de grupos se reduza. "Estamos vivendo um momento de boom, mas com o tempo muitos grupos desaparecerão. Ficarão os que realmente fazem uso ritualístico. Só continuará bebendo ayahuasca quem souber porque está fazendo isso", diz.
O fato é que uma das conseqüências desse boom é, justamente, a idéia de que o uso religioso da ayahuasca possa ser considerado patrimônio cultural brasileiro. Para Beatriz Labate, o que se passa agora com as religiões que usam o chá pode ser comparado ao que já aconteceu, por exemplo, com a capoeira. "Durante boa parte do século 20 a capoeira era marginalizada. Aos poucos foi entrando nas academias, nas escolas e hoje é um ícone do Brasil."
Ela diz que a percepção dessa religiosidade como um fator de identidade cultural é mais forte na Amazônia e particularmente no Acre, onde os comerciais de TV que estimulam a visitação ao estado exibem cenas de daimistas bailando. "Essas religiões foram perseguidas de várias formas por décadas. Se hoje o governador do Acre e o ministro da Cultura estão se manifestando favoravelmente a elas, é porque ocorreu a expansão desses grupos. Ninguém ia dar a menor bola se fosse apenas um fenômeno regional."

"MUITO DENTRO DE MIM MESMA"
A monja Coen, fundadora da Comunidade Zen Budista, conta como foi sua experiência com o chá ayahuasca

monja coen
Coen-xistência: a monja budista aprovou a experiência com o chá sagrado
"Um membro da minha comunidade fazia parte um grupo religioso que tomava chá de ayahuasca e me convidou para uma reunião festiva de Natal, onde se podiam levar convidados de fora. Convidei duas alunas minhas e fomos as três. Era um sítio pertinho aqui de São Paulo, nós chegamos já era noite. Fomos recebidos por uma senhora quer era líder deste grupo. Sentia-se muito a presença dela, a força dela como liderança.Havia muitas crianças, adolescentes, famílias, e isso me surpreendeu. Entramos numa sala muito grande, muito cheia de pessoas, e nos deram copinhos com um chá - um chá cor de chá mesmo. Primeiro passaram umas frutas, cada um pegou um pedacinho e depois todos juntos comungamos deste chá, bebemos juntos. Me lembra muito o que nós fazemos no budismo, como as nossas cerimônias de alimentação, de chá. Então isso foi muito bonito pra mim, né?
Nos sentamos e havia muitas músicas que eram muito agradáveis, mas a minha preocupação era à líder do grupo. Como eu sou líder de uma comunidade, me interessava ver como ela liderava. Como era Natal era tudo relacionado a Jesus. Havia uma fotografia de um senhor [Mestre Gabriel] da Amazônia, alguma coisa assim, que seria o fundador desta ordem, um senhor de bigodinho assim. O nome dele era falado algumas vezes e agradecido, como nós fazemos na nossa linhagem para os nossos monges fundadores.
Algumas pessoas vomitavam e eu já tinha ouvido falar sobre isso, eu tinha ficado um pouco preocupada. Uma das meninas que foi comigo começou a passar mal; até que conseguimos acalmá-la e colocá-la numa cama ali num cantinho e ela dormiu. Mas me deu muita impressão de que ela ficou incomodada com o que estava acontecendo por um profundo desconhecimento. Essa moça sempre passava o Natal comigo e eu falei 'então vamos juntas', não te largar sozinha na noite de Natal. E foi um erro, ela não estava preparada. A outra não, ficou sentadinha ali do meu lado.
Uma hora eu me senti mal, tive um momento que eu falei 'nossa' e levantei. Eu sou muito metida, cheguei dizendo 'não eu não vou vomitar, imagina'. Mas não adianta: tá todo mundo vomitando do seu lado, é muito difícil, né? Eu vomitei um pouco, não foi muito não. E aí eu fiquei do lado de fora... e isto foi agradável.
Me perguntaram se eu não tive visões. Na verdade não, não que eu me lembre. Senti uma sensação de vastidão e conexão com a natureza, de bem estar com ela e com todos os seus elementos. Fiquei pensando: porque que nós fazemos isto numa sala fechada, por que isto não é feito ao ar livre? Porque o ar e a natureza iam te abrir os braços! Talvez porque fosse frio, né? Há aqueles que dizem isto não é bom, isto não presta, isto tira do estado normal de consciência. O que é o estado normal de consciência? O que seria nossa consciência verdadeira?
Passado isso eu voltei para a sala. A música continuava, já era mais no final da noite, estavam em um momento de perguntas. As pessoas pediam licença e diziam: 'mestra eu posso fazer uma pergunta'. Se ela dissesse sim, fazia, se ela dissesse não, não fazia. E aí ela vai respondendo. E esta parte para mim foi mais interessante, porque parece um pouquinho com o que nós fazemos no templo budista, quando o mestre que tem mais sabedoria pode conduzir os novatos na vida. Comentei com o pessoa lá que isso de passar ensinamentos pode ser feito em qualquer religião. O que eu notei, dentro da minha visão que é um pouco parcial porque eu só vi um dia, é que a mestra conduziu todo este ensinamento dentro da visão cristã. A palavra Jesus é usada inúmeras vezes. Era noite de Natal, eu não sei se é sempre assim.
Na viagem de volta, a minha amiga que passou mal estava muito bravinha. Ficava no banco de trás dizendo 'nossa que absurdo, alguém podia morrer numa cerimônia dessas'. A outra não, estava meio assim sem saber. E pra mim foi uma coisa muito pé-no-chão.
Até comentei com o meu superior, que se interessou e ficou de ir. Estava no meu universo, naquilo que eu conheço. Eu estava ligada, não desligada. Não sei se isto é assim pra todo mundo, mas me deu uma sensação de estar muito em mim mesma, e muito capaz de fazer coisas. Foi muito interessante."

fonte: Revista Galileu
http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu/0,,EDG83915-7942-203-1,00-A+HORA+DO+CHA.html
http://www.universomistico.org/s/a-hora-do-cha.html

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Oração no Budismo



No Budismo, há uma frase "recitando o sutra." Um sutra é um ensinamento do Buda. Algumas vezes nós cantamos sozinhos, às vezes com uma comunidade de praticantes chamada Sangha. Algumas vezes nós recitamos silenciosamente em nosso coração, às vezes para fora. Às vezes nós recitamos com a energia de plena consciência, fé, e compaixão. Às vezes nós recitamos como um papagaio, atento ao som mas sem prestar nossa atenção ao significado das palavras.
Por que nós cantamos sutras? Primeiro para estar em contato com os ensinamentos que o Buda nos deu, estar em contato com o entendimento do Buda. Também recitando nos dá uma oportunidade para regar as sementes do que é bonito, bom, e fresco em nossa própria consciência.
Nós deveríamos recitar o sutra como uma oração? Se nós entendermos a palavra "oração" em seu significado profundo, isto é, oração sendo baseada em nossa prática de plena consciência, e concentração, nós poderíamos dizer que recitar o sutra também é oração.
Além de recitar os sutras, budistas têm também cantos que podem parecer muito com oração. (…) Você poderia chamar este canto de um desejo. Mas o ato de recitar ou cantar ou rezar não é só um desejo vazio se atrás das palavras da oração há uma prática. No Budismo, esta prática é a prática de plena atenção e de manter a concentração nas palavras do sutra. As palavras da oração estão baseadas na força que nós temos em nós mesmos. Quando nós não tivermos a força da prática em nós, então há pouca ou nenhuma força de fora que pode vir para nós.
No canto, "Oferecendo o Mérito para Acabar com Obstáculos do Karma" nós recitamos estas linhas:
Nós juramos acabar com os três obstáculos e transformar as aflições.
Nós juramos perceber a sabedoria que vê as coisas claramente como são.
Que nosso desejo de acabar com estes obstáculos possa ser percebido universalmente.
Por todas as gerações possa ser praticado o caminho de bodhisattva.
Jurar acabar com obstáculos e transformar as aflições é um desejo. Nós trazemos este desejo e dirigimos isto para o Buda, assim ele pode nos ajudar a liberar de aflições e tomar consciência da sabedoria. Mas quando nós recitarmos estas linhas, nós não estamos entregando este desejo ao Buda. Nós estamos juntando nossas forças internas e estamos combinando isto com a força que existe fora de nós.
O canto "Seu Discípulo Se curva em Respeito" simboliza o espírito da oração no Budismo. É uma oração que está baseada em nossa prática, e que depende da nossa própria força como também da força existente fora de nós. Nós sabemos que se a força dentro de nós não existir, então a força fora de nós também não existirá. Aqui é uma estrofe daquele canto:
Seu discípulo para muitas vidas, muitas eras,
Foi pego nos obstáculos de karma, desejo, raiva, arrogância, ignorância, confusão, erros,
E hoje, graças a conhecer o Buda,reconheceu os seus enganos
E sinceramente começa novamente.
Estas palavras são um modo de olhar no espelho para entender a verdade sobre o que aconteceu conosco. O praticante está trazendo a luz de plena consciência para iluminar a própria situação. Cantando, vemos como no passado podemos ter sido inábeis. Por cantar, e graças à luz de compaixão do Buda, nós podemos ver aonde nós cometemos erros. Estamos determinados a não continuar agindo mais da mesma maneira. Nós juramos evitar ações não saudáveis, juramos fazer o que é saudável. Estas palavras nos lembram que nós, depois de aprender os ensinamentos do Buda, podemos aplicar esses ensinamentos em nossas próprias vidas.
Aqui está outro canto que é uma oração tradicional no Vietnã conhecido por até mesmo crianças pequenas:
Confiando no favor do Buda
Cuja compaixão nos protegerá,
Nosso corpo possa não estar doente
E nossa mente não esteja aflita.
Prática, como oração, é para os dois aspectos de vida, nosso corpo e nossa mente, estarem com boa saúde. Por que queremos que nosso corpo não esteja doente e nossa mente não esteja aflita? Não porque queremos correr atrás de nossos desejos sensuais, mas de forma que dia após dia possamos estar contentes praticando o Buddhadharma maravilhoso, e de forma que possamos estar rapidamente livres das amarras do nascimento e morte. Praticamos para que a querida mente tenha insights da verdadeira natureza de coisas e possa liberar todas as espécies de seres vivos. Este é nosso grande voto.
Recentemente, uma praticante veio para Plum Village. Ela estava muito doente com câncer. Monja Chan Khong, um das monjas de Plum Village e uma amiga íntima de muitos anos, falou com esta praticante e descobriu que a avó e avô da mulher tinham vivido até as idades de noventa e quatro e noventa e cinco anos. Assim Monja Chan Khong sugeriu que ela rezasse aos seus avós. "Avô, avó, vem e me ajude". Nós rezamos assim porque em nossos próprios corpos estão os corpos de nossos avôs e avós. Nossos avós podem ter falecido, mas as células saudáveis deles ainda estão presentes em nós e nós podemos chamá-los a vir e nos ajudar. Quando nós chamarmos por nossos avós, vemos claramente que eles e nós somos um.
Outra noite quando eu estava praticando meditação sentada, enviei minha energia a Irmã Darn Nguyen, uma monja que estava muito doente, em Hanói, no Vietnã. Quando nós praticarmos compaixão, quando nós meditarmos com nosso foco em compaixão, então nós praticamos amor. Esta transmissão de energia é uma forma de oração. Irmã Darn Nguyen desfrutou de uma recuperação notável; mas isso não é o único ponto. Quando nosso coração estiver cheio de amor, então nós estamos criando mais amor, paz, e alegria no mundo.
Quando enviarmos a energia de amor e compaixão a outra pessoa, não importa se eles souberem que nós estamos enviando. A coisa importante é que a energia e o coração de amor estão presentes e estão sendo enviados ao mundo. Quando amor e compaixão estão presentes em nós, e os enviamos, então isso verdadeiramente é oração.
Enviando amor, nós poderemos notar uma mudança em nosso próprio coração. Aquela oração começou a ter um resultado dentro de nós. Quando a Irmã Darn Nguyen estava aqui em Plum Village, as outras monjas tomaram conta dela e lhes deram muito amor. Todo aquele amor e energia ainda estão dentro dela e dentro de cada um de nós. Se nós voltarmos a nós mesmos e estivermos em contato com aquela energia, então teremos mais energia para curar o corpo e mente do outro.
Às vezes nós rezamos para a saúde ou felicidade dos outros. Mas às vezes nós simplesmente rezamos para os outros mudarem. Havia uma mulher em Taipei que sofreu grandemente porque o marido dela jogava. Ela era uma budista e diariamente ela ia para o templo e rezava para que o marido deixasse de jogar. Diariamente a relação entre ela e o marido era de grande sofrimento. Ela sentia que estava labutando dia e noite para tomar conta da casa enquanto ele apenas perdia dinheiro e não tinha nenhuma consideração para a esposa e os filhos. Ela não estava pedindo dinheiro, sucesso, ou saúde. Ela apenas rezava para alguém vir e salvá-la de algum modo, persuadindo o marido a deixar de jogar.
Mas se esta mulher continua simplesmente indo para o templo rezar para que o marido dela deixe de jogar, isso é oração efetiva? O budismo ensina que nós precisamos ter uma prática associada à nossa oração. Na oração tem que haver plena consciência, concentração, insight, bondade, e compaixão. Raiva culpa, ciúme, e despeito não são suficientes. Nós precisamos da energia de plena consciência, concentração, compreensão, e amor para colocar corrente elétrica no fio. Caso contrário, como as palavras de nossa oração podem alcançar as orelhas da pessoa para quem estamos rezando? Se a mulher pudesse ver que ela e o marido estão conectados fortemente um ao outro, e que as ações dela e dele são conectadas, ela poderia ter algum insight no problema que a incomoda.
Como nós rezamos? Nós rezamos com nossa boca e nossos pensamentos, mas isso não é o bastante. Nós temos que rezar com nosso corpo, fala, e mente e com nossa vida diária. Com plena atenção, nosso corpo, fala, e mente podem se tornar um. No estado de unidade de corpo, fala, e mente, nós podemos produzir a energia de fé e amor necessária para mudar uma situação difícil.
Oração efetiva é composta de muitos elementos, mas há dois que parecem ser os mais importantes. O primeiro é estabelecer uma relação entre nós mesmos e a pessoa para quem estamos rezando. É o equivalente a conectar um fio elétrico quando nós queremos nos comunicar através de telefone.
Anteriormente, eu fiz a pergunta: Para quem rezamos? E eu respondi, o que reza e o que recebe a oração são duas realidades que não podem ser separadas uma da outra. Isto é básico no Budismo, e eu estou bastante seguro que em toda religião existem os que praticaram há muito tempo e têm esta compreensão. Eles podem ver que Deus está em nosso coração. Deus é nós e nós somos Deus. O gatha de visualização inteiro é assim:
O que se reverencia e o que é reverenciado são ambos, por natureza, vazios.
Então a comunicação entre eles é indizivelmente perfeita.
O primeiro elemento de um método efetivo de oração é a comunicação entre nós mesmos e o ser para quem nós estamos rezando. Como somos interconectados com o ser que estamos rezando, nossa comunicação não é dependente do tempo ou espaço. Quando nós meditarmos, a comunicação é percebida imediatamente e nós estamos unidos. Nesse ponto, há eletricidade no arame.
Nós sabemos que quando uma estação de televisão envia seu sinal até o satélite de telecomunicações e chega até nossa televisão, certo tempo é necessário para as ondas serem transmitidas pelo espaço. Mas a comunicação da oração existe completamente fora do espaço e tempo. Nós não precisamos de um satélite. Não temos que esperar um ou dois dias por um resultado; o resultado é imediato. Quando você fizer café instantâneo, embora você chame isto instante, você tem que ferver a água, precisa de tempo para fazer seu café. Só então você pode beber o café. Mas na oração, nós não precisamos esperar tempo algum, nem mesmo um momento.
O segundo elemento que precisamos para a oração é energia. Nós já conectamos o fio do telefone, agora nós precisamos enviar uma corrente elétrica por ele.
Na oração, a corrente elétrica é o amor, plena atenção, e concentração correta. Plena atenção é a real presença de nosso corpo e nossa mente. Nosso corpo e nossa mente são dirigidos para um ponto, o momento presente. Se isto estiver faltando, não somos capazes de rezar, não importa nossa fé. Se você não estiver presente, quem estará rezando?
Para rezar efetivamente, nosso corpo e mente têm que morar pacificamente no momento presente. Quando você tiver em plena atenção, então você tem concentração. Esta é a condição que conduzirá a prajña, a palavra sânscrita para insight e sabedoria transcendente. Sem isso, nossa oração é só superstição.
(Do livro “The energy of prayer” – Thich Nhat Hanh)
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Maria Elisete Shalom...
Amorosamente me refugiando no Sanga

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Vai Coração (Go on my heart) - Carioca


Enviado por weslleyvaz em 19/03/2012
Vai coração

Vai subindo

Vai voando

Nesse céu, tão lilás

Não cabias no meu peito

E saiu pela janela

Vai coração

Vai voando

Vai levando

Esse desejo de paz

A todos aqueles que estão além

Dessa janela

A alma foi feita prá voar

A alma foi feita prá dançar

A alma foi feita prá cantar

E ser feliz...
Go on my heart

Riding up

Keep on flying

On that violet sky

I couldn't hold you inside

And you slipped out through the window

Go on my heart

Keep on flying

Keep on holding on this wish of peace

For all people,

People living far away

Beyond that window

The soul was made just to fly

The soul was made just to dance

The soul was made just to sing

And to be happy

E ser feliz...

Mare Mía (Diana Navarro)


Una preciosa oración a la Madre Tierra. Música: "Mare Mía" y "Letanía" de Diana Navarro


Mare mía, mare mía,
Gratia plena.
Ave, Ave, mare mía.
Gracias Ave Maria!!!
Maria Elisete Shalom...

Shimshai - Me Ilumina


No seu jardim de luz, de cristal que esta iluminando a toda criação

Tem uma flor que abre sómente cuando a lua cheia brilha seu esplendor

Eu quero ser uma arvore na floresta afirmando meu lugar, eu dou louvor

E cuando chegou nas Alturas, vou estar perante a força e o poder
Me ilumina, na maneira

Da presença divina verdadeira

Agradeço, na benção da união

Da terra e do ceu, que nos somos um com Deus
Aqui estou no meio do rio, que flui e limpa dentro do meu coração

Trazendo a tranquilidade tão pura, aonde existe a só verdade que me cura

Aos agues me humilho e me ofereço, na esperança de unir, vos agradeço

Sou filho da grande força suprema, que me conduz e me ensina nesta vida
Maria Elisete Shalom...

Bhajans - Ao cantar o Nome de Deus, recarregamos nossas baterias





Ao cantar o Nome de Deus, recarregamos nossas baterias e ajudamos a purificar a atmosfera espiritual do planeta. Mas este serviço no plano sutil não é suficiente: a energia absorvida nos bhajans deve ser usada para prestar serviço.
Para as pessoas que não acreditam no poder dos bhajans, Baba diz:
"Algumas pessoas podem achar graça dos bhajans (canções devocionais), chamá-los de um mero show de exibição e recomendar, ao invés, a meditação quieta, no recesso silencioso do templo. Mas a reunião ou companhia de muitos, cantando, ajuda a remover o egoísmo."

"... Na verdade, cantar o nome de Deus em grupo afasta vocês de pensamentos dispersivos, os mesmos que invadem suas cabeças quando vocês cantam sozinhos. Por isso, cantem alto a glória de Deus e saturem a atmosfera com adoração divina."
"... Não se engajem no Nama Sankirtana (canto do Nome de Deus em grupo) como um passatempo, modismo, fase passageira ou parte desagradável de uma programação imposta que deve ser cumprida todo dia. Pensem nele como parte do treinamento espiritual a ser seriamente cumprida para reduzir os apegos às coisas transitórias, purificando e fortalecendo-os, libertando-os do ciclo de nascimentos e mortes e, consequentemente, dos sofrimentos. Pode parecer uma cura frágil para um mal tão terrível. Contudo, o Nama Sankirtana é um remédio para todos os males."


"... Mantenham o nome de Deus sempre nos lábios e descobrirão que todos os pensamentos de ódio e inveja desaparecerão de seus corações. Se vocês, pelo menos, mostrarem algum interesse genuíno por sua própria elevação, estarei pronto para ajudá-los e coroar seus esforços com o sucesso. Portanto, não desperdicem tempo inutilmente."

"Deixem que cada momento seja uma canção devocional (bhajan). Evitem conversas fúteis. Conheçam o propósito dos Bhajans e devotem-se de todo coração a cantá-los. Retirem o máximo benefício dos anos que lhes foram concedidos."
Sathya Sai Baba, no livro "O Homem Santo e o Psiquiatra





CD Cantando para Deus - Vol. 1 Organização Sathya Sai Baba - Brasil

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MÃE DIVINA





Minha mãe minha rainha
Foi ela que me entregou
Para mim ser jardineiro
No jardim de belas flores
No jardim de belas flores
Tem tudo que procurar
Tem primor e tem beleza
Tem tudo que Deus me dá
Todo mundo recebe
As flores que vêm de lá
Mas ninguém presta atenção
Ninguém sabe aproveitar
Para zelar este jardim
Precisa muita atenção
Que as flores são muito fina(s)
E não podem cair no chão
O jardim de belas flores
Precisa sempre aguar
Com as prece(s) e os carinhos
Ao nosso pai universal

- Mestre Irineu-






OM - BHUR BHUVA SWAH
TAT SAVITUR VARENAYAM
BHARGO DEVASYA DHIMAHI
DHIYO YO NAH PRACHODAYAT

Em um mundo melhor,
a lei natural é a do amor.
Em uma pessoa melhor,
sua natureza também é amorosa.
O amor é o princípio
que cria e sustenta as relações humanas,
O amor espiritual leva ao silêncio,
e esse silêncio tem o poder de unir,
orientar e liberar as pessoas.
E mais, quando o seu amor é aliado à fé,
cria uma forte estrutura para a iniciativa e a ação.
Lembre-se: o amor é um catalisador para mudanças,
desenvolvimento e conquistas.

Por Brahma Kumaris






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