Pesquisa

quinta-feira, 14 de junho de 2018

VELHICE,ANCESTRALIDADE E A RELAÇÃO COM NOSSO ENVELHECER



É necessário respeitar o idoso como o principal atuante de suas vidas, posteriormente pelo seu passado: suas histórias, escolhas e decisões. Naquele sujeito há uma vida inteira, um mundo singular com escolhas, emoções, ações, arrependimentos, honras. Enfim, uma ancestralidade que tem relação com o envelhecer.
Por Renata Garcia Belfort (*)
“Começamos a envelhecer quando nascemos”. Essa frase me causou grande impacto (positivo) durante o curso de Fragilidades na Velhice, realizado recentemente. Comecei a observar com mais cautela, discernimento e clareza aqueles entre os 60 e os 90 anos que me cercam, como também as minhas escolhas de vida.
No decorrer desse processo, a sensação de nostalgia e as memórias de infância vinham frequentemente em minha mente, considerando que passei minha meninice em volta de meus avós, tios-avôs e tias-avós, o que possibilitou um contato intenso com idosos.
Naquela época, nos encontros com uma pessoa velha, em especial a madrinha espanhola da minha mãe, era possível sentir de uma maneira muito intensa a minha ancestralidade. A cada frase a la portunhol da minha Tia Carmen era a expressão da força feminina necessária para superar obstáculos e situações novas, sempre com determinação em suas frases e com olhar de afeto. Sou eternamente grata por treinar minha escuta e fala no idioma espanhol, o que pude reconhecer somente após sua morte.
Quando criança também adorava escutar as histórias sobre suas ações beneficentes e a benevolência de minha bisavó libanesa em ajudar instituições de assistência aos necessitados, tornando seu frequente trabalho voluntário reconhecido por órgãos municipais que a gratificaram por sua honra com uma rua em seu nome na Vila Mariana na cidade de São Paulo. Não tive a honra de conhecê-la, mas trago em meu imaginário a persona de uma mulher forte que tinha uma bondade que transcendia sua alma. Tenho como herança seu nariz de traços libaneses e o apreço por babaganoush.
O encontro de gerações com minhas avós possibilita enxergar um passado em interação com o hoje que, além do respeito necessário por possíveis limitações físicas e/ou emocionais que elas manifestam, é necessário respeitá-las como sujeitas com poder decisivo.
Percebi que o curso não agiu somente no âmbito profissional, mas também nas minhas relações familiares. Consegui enxergar minha avó além da doce senhora dos olhos azuis e passar a enxergá-la como a mulher de garra com os olhos que acalmam. Aquela que “acordava com o galo” para ir à lavoura e depois trabalhar como doméstica nas fazendas dos cafezeiros. E que posteriormente veio à capital construir com muito suor seu espaço. Passei a reconhecê-la pelo seu passado, ter consciência que hoje estou escrevendo somente por decisões que ela tomou no passado.
Quando olho para seu passado, percebo que este não deve ser abnegado e nem esquecido. Saliento assim a importância de manter minha avó como autora de sua história e decisões para o que acha melhor para si. Nesse processo de estimulação, foi possível realizar um de seus sonhos ainda não realizados: viajar de avião pela primeira vez e aos 90 anos de idade.
É necessário então, em primeiro lugar, respeitar o idoso como o principal atuante de suas vidas, posteriormente pelo seu passado: suas histórias, escolhas e decisões. Sendo assim podemos perceber que naquele sujeito há uma vida inteira, um mundo singular com escolhas, emoções, ações, arrependimentos, honras e assim por diante.
Dessa forma, é possível trabalhar os diferentes níveis de autonomia, discernimento e poder de decisão dos idosos, respeitando suas limitações e permanecer observando possíveis alterações e/ou manifestações de comportamento diferentes no cotidiano do idoso.
O idoso como percussor de sua história
Retomando sobre o idoso como percussor de sua história, torna-se ainda mais rico e entusiasmante pensarmos que no futuro próximo haverá uma nova geração de idosos. Haverá também a desfragmentação dos estereótipos de velhos ou da velhinha de vestido de bolinha, ou mesmo que se mantenham esses, mas a velhice de hoje não será a mesma daqui a alguns anos. A cada geração de velhos será uma novidade.
Não serão as mesmas músicas do “José Rico e Milionário” que ouvia no toca-fitas de meu avô, mas talvez será a minha mãe mostrando para seus netos vídeos do show do Queen no primeiro Rock in Rio de 1985, repassando seus valores, histórias e escolhas do passado. Dessa forma, fica explicado porque acho necessária a busca de nossa ancestralidade para transcendermos e irmos ao encontro com o novo.
Diante de todos esses fatos e de todas as lembranças dos idosos que já me relacionei, daqueles que já foram ou que ainda tenho a graça de estar ao lado, a minha ancestralidade sempre se mostrou presente e, dentro do curso de Fragilidades na Velhice, a percebi como importante parte integrante do meu Eu e essencial em meu processo de envelhecer, individuação ou como preferir nomear.

(*) Renata Garcia Belfort é psicóloga. Texto produzido no curso Fragilidades na Velhice: Gerontologia Social e Atendimento na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), no segundo semestre de 2017. E-mail: renatabelfort90@hotmail.com. Imagem de destaque: filme animado “Moana: Um Mar de Aventuras“, direção de Ron Clements, John Musker, que narra a história de Moana perla busca de sua ancestralidade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

MÃE DIVINA





Minha mãe minha rainha
Foi ela que me entregou
Para mim ser jardineiro
No jardim de belas flores
No jardim de belas flores
Tem tudo que procurar
Tem primor e tem beleza
Tem tudo que Deus me dá
Todo mundo recebe
As flores que vêm de lá
Mas ninguém presta atenção
Ninguém sabe aproveitar
Para zelar este jardim
Precisa muita atenção
Que as flores são muito fina(s)
E não podem cair no chão
O jardim de belas flores
Precisa sempre aguar
Com as prece(s) e os carinhos
Ao nosso pai universal

- Mestre Irineu-






OM - BHUR BHUVA SWAH
TAT SAVITUR VARENAYAM
BHARGO DEVASYA DHIMAHI
DHIYO YO NAH PRACHODAYAT

Em um mundo melhor,
a lei natural é a do amor.
Em uma pessoa melhor,
sua natureza também é amorosa.
O amor é o princípio
que cria e sustenta as relações humanas,
O amor espiritual leva ao silêncio,
e esse silêncio tem o poder de unir,
orientar e liberar as pessoas.
E mais, quando o seu amor é aliado à fé,
cria uma forte estrutura para a iniciativa e a ação.
Lembre-se: o amor é um catalisador para mudanças,
desenvolvimento e conquistas.

Por Brahma Kumaris






Encontre mais músicas como esta em Portal Arco Íris-Núcleo de Integração e Cura Cósmica